Diário de Pará on line - 21.11.2011
Matança em Icoaraci deixa 6 mortos em chacina
Depois de Santa Izabel do Pará, onde sete pessoas foram mortas, há dois meses, em mais uma chacina no Estado, o distrito de Icoaraci chega às manchetes sangrentas do país como sede da terceira maior chacina do Pará, nos últimos 20 anos.
Seis jovens entre 12 e 17 anos foram assassinados à bala quando estavam conversando em frente à residência de dois deles, em Icoaraci, por volta das 23h de sábado. Os disparos foram ouvidos a 500 metros do local do crime.
Com exclusividade o DIÁRIO acompanhou o caso, chegando ao local da chacina 15 minutos após o ocorrido, cuja execução deixou rastro de sangue e desespero em familiares que a cada instante chegavam à rua onde ocorreu a matança. O movimento de policiais era intenso e envolveu três zonas de policiamento além da alta cúpula da Secretaria de Segurança Pública que foi mobilizada.
O governador Simão Jatene foi informado meia hora após a chacina e determinou ao secretário de Segurança Pública e ao delegado geral uma força tarefa no sentido de identificar e prender os dois homens que chegaram ao local em uma motocicleta e executaram os seis jovens.
Foi mandado para o local, além do delegado Renato Vanghon, da Seccional de Icoaraci, o delegado Lenoir Cunha com a equipe técnica da Divisão de Homicídios. A remoção dos corpos foi acompanhada pessoalmente pela diretora de Polícia Metropolitana, delegada Ione Coelho e da Polícia Especializada, delegado João Bosco Rodrigues.
As primeiras informações no local foram prestadas pelo cabo Cardoso da viatura 9316 que relatou a cena que encontrou ao chegar à frente do prédio do Ipamb, na rua Padre Julio Maria.
"Quando nós chegamos os cinco já estavam mortos e pedimos apoio para socorrer a sexta vítima que acabou morrendo ao chegar no hospital", informou o cabo Cardoso da 8ª Zepol.
TESTEMUNHA
Uma testemunha ouvida pelo DIÁRIO, na emoção do momento, relatou que os adolescentes estavam em frente ao prédio do Ipamb, próximo da casa de três deles, quando dois homens em uma motocicleta vermelha desceram de armas em punho mandando as vítimas se ajoelharem com a mão na cabeça.
Em seguida, foi ouvida pela vizinhança uma sequência de tiros como se fosse uma guerra entre quadrilhas nos morros do Rio de Janeiro.
O avô de dois adolescentes mortos disse que chegou por volta das 22h30 e ainda avisou os netos que tava na hora de entrar. "Eu entrei com a minha esposa e já estava adormecendo quando ouvi os pipocos. Abri a porta, ao chegar aqui reconheci meus netos mortos".
Outro morador, que pediu anonimato, disse que tinha acabado de chegar em casa quando ouviu a sequência de tiros. "Pensei que fosse alguma comemoração, mas logo a notícia das mortes dos meninos se espalhou".
No local do crime existem dois prédios públicos com vigias. No posto do Ipamb a Polícia Civil teve que quebrar os cadeados para o trabalho da perícia do Instituto de Criminalística.
Por determinação do comandante do 10º BPM tenente coronel Jair todas as entradas e saídas de Icoaraci foram fechadas com barreiras policiais e a todo instante informações chegavam à força-tarefa da Polícia Civil na tentativa de levantar pistas dos possíveis criminosos.
Vítimas levaram 4 tiros na cabeça
Carlos Roberto era pai de dois dos adolescentes executados na chacina de Icoaraci. Sem palavras, ficou olhando a equipe de peritos do Instituto de Criminalística realizar o serviço de perícia e remoção dos corpos.
"Estes dois são meus filhos. A gente não sabe que vai acontecer. Se falar a gente acaba morrendo também", disse emocionado.
Ao seu lado, a irmã dos dois adolescentes lamentava a morte dos irmãos afirmando que eles não tinham problemas que os levassem a ser mortos da forma como foram.
Abraçada a outro irmão, a jovem, que não revelaremos o nome por questão de segurança, acompanhou todo o serviço de remoção dos corpos.
Uma senhora, que se dizia mãe de um dos adolescentes, chorava sentada na calçada a menos de três metros do corpo do filho. "Meu filho, o que fizeram com você? Como é que pode uma tragédia dessas", questionava.
Segundo informações dos peritos que trabalharam na cena do crime, foram recolhidos projéteis de revólver calibre 38 e cartuchos de pistolas 380 e Ponto 40. "Em média foram quatro tiros na cabeça de cada um dos jovens. Teve vítima que chegou a levar cinco tiros", disse um policial da Divisão de Homicídios.
Enquanto os carros de remoção do Instituto de Criminalística deixavam a rua Padre Júlio Maria, três senhoras rezavam em voz baixa. "Deus dê a salvação eterna a todos vocês".
Divisão de Homicídios assume investigações
Baseado em levantamentos realizados por equipes da Polícia Civil de Icoaraci, por meio do delegado Renato Vanghon, as investigações para elucidar o crime irão ficar sob a responsabilidade da Divisão de Homicídios.
A informação foi prestada no início da noite de ontem pelo diretor de Polícia Especializada delegado João Bosco Rodrigues Júnior. "Dado a complexidade do caso e pelos levantamentos feitos pelo delegado Lenoir Cunha o inquérito policial vai tramitar pela Divisão de Homicídios", informou Bosco.
Ao DIÁRIO, o delegado Lenoir Cunha disse que as investigações estão em andamento e todas as possibilidades serão investigadas para apontar os assassinos e motivos que levaram à chacina.
O delegado vai levantar informações de câmeras instaladas em lojas e residências próximas ao local. Polícia investiga um veículo que estaria estacionado na esquina da rua Padre Julio Maria com Berredos dando cobertura para a fuga dos assassinos. (Diário do Pará)
G1 Brasil - 21.11.2011
Seis adolescentes são mortos em chacina no Pará, diz polícia
Jovens entre 14 e 16 anos morreram em Icoaraci, distrito de Belém.
Segundo testemunhas, dois homens de moto atiraram contra garotos.
A Divisão de Homicídios de Belém investiga a morte de seis adolescentes entre 14 e 17 anos na noite de sábado (19) no distrito de Icoaraci, no Pará.
De acordo com a Polícia Civil, a chacina teria ocorrido por volta das 23h de sábado no bairro Ponta Grossa, quando os adolescentes conversavam em frente a um órgão da prefeitura, o Instituto de Previdência e Assistência do Muncípio de Belém (Ipamb).
Segundo testemunhas, os jovens estavam conversando na calçada, onde estavam acostumados a se reunir, quando foram abordados por dois homens que chegaram em uma moto.
Segundo a polícia, o homem na garupa teria descido armado mandando que todos eles encostassem no muro, virados de costas e ajoelhados.
O homem teria afirmado ser policial e perguntado sobre outras pessoas que não estavam ali. Em seguida, teria disparado contra eles, um por um.
Um dos garotos, de 17 anos, chegou a ser encaminhado ao Hospital metropolitano De Urgência E Emergência de Belém, mas não resistiu aos ferimentos. Os outros morreram na hora.
Ainda segundo a polícia, que deve começar a ouvir depoimentos no decorrer da semana, as testemunhas ouvidas inicialmente não conseguiram ver a placa de moto, que estaria parcialmente encoberta, nem os rostos dos homens.
Os velórios acontecem nesta segunda (21). A polícia aguarda o resultado dos laudos da perícia e do IML (Instituto Médico Legal), que devem indicar quantos tiros foram disparados e as causas da morte dos adolescentes.
Terra Notícias 21.11.2011
PA: chacina deixa 6 adolescentes mortos; família culpa polícia
Seis adolescentes foram executados no fim da noite de sábado, em Belém (PA). A chacina foi no distrito de Icoaraci, a cerca de 20 km do centro da cidade, a um raio de menos de 200 m de onde as vítimas moravam. Nenhum dos mortos tinha passagem pela polícia.
Quatro deles (de 12, 14, 15 e 17 anos) foram enterrados na manhã desta segunda-feira, em Icoaraci. As outras duas vítimas foram enterradas à tarde: um adolescente de 16 anos foi sepultado no município de Colares, a 90 km de Belém, e outro, de 17 anos, também em Icoaraci.
De acordo com testemunhas, a chacina foi cometida por dois homens a bordo de uma moto, que se identificaram como policiais. Eles enfileiraram os menores na calçada, de joelhos e com as mãos na cabeça, em frente a um órgão público, o Instituto de Assistência e Previdência do Município de Belém (Ipamb). Vizinhos relatam ter ouvido mais de 20 tiros.
Inicialmente após a chacina, policiais levantaram a suspeita de que os adolescentes fossem usuários de drogas e tivessem envolvimento com assaltos, o que faria o caso parecer um acerto de contas entre bandidos, crime corriqueiro em Belém. Entretanto, os parentes das vítimas ficaram revoltados com a hipótese, garantiram que todos são inocentes e levantaram indícios de que os executores teriam sido policiais ou ex-policiais.
"Os caras se apresentaram como polícia, mandaram se ajoelhar com as mãos na cabeça como polícia, usaram pistola, que é arma de polícia, e, no fim, estava passando uma viatura da PM que fez 'corpo mole' e não quis ir atrás dos suspeitos, que fugiram de moto", detalha Maria de Lourdes Barbosa, mãe de um dos adolescentes enterrados na manhã desta segunda-feira.
Pai de duas das vítimas, Carlos Alberto Gonçalves garante que nenhum dos seis adolescentes era problemático, com histórico de delitos ou usuário de drogas. "Estavam no lugar errado, na hora errada", resume.
O delegado que investiga o caso, Gilvandro Furtado, diretor da Divisão de Homicídios, confirmou que os adolescentes mortos não têm passagem pela polícia. Apenas um deles já foi citado em boletim de ocorrência, por conta de lesões corporais. Até a tarde desta segunda-feira, o delegado diz não ter suspeitas de autoria ou da motivação do crime. A desconfiança levantada pelos familiares das vítimas, de que os autores seriam policiais ou ex-policiais, não foi descartada. "Nessas horas, logo após o crime, surge todo tipo de hipótese. Com o tempo, a gente vai passando um filtro e elimina o que não procede, até chegar na verdade sobre o fato", diz Gilvandro Furtado.
Terra Notícias - 21.11.2011
GO: polícia investiga se chacina que matou 6 envolve drogas
A Delegacia de Homicídios (DH) de Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital, investiga uma chacina ocorrida na noite de sábado que deixou seis pessoas mortas. Todas as vítimas, entre elas uma menina de 4 anos, foram executadas dentro de uma residência com tiros na cabeça. A principal hipótese para o crime é envolvimento com drogas.
O crime aconteceu por volta das 22h30 no bairro Jardim Olímpico. De acordo com Anderson Pimentel, delegado titular da DH, um ou dois criminosos entraram na casa por trás e, aproveitando-se da reunião das pessoas, ou reunindo-as de propósito, dispararam contra a cabeça de todos os presentes. As quatro vítimas do sexo feminino e uma do sexo masculino eram familiares. O outro rapaz morto era namorado de uma das garotas.
Para o delegado, o crime está relacionado a dívidas ou desavenças com traficantes de drogas. "A residência já tem um histórico de envolvimento com o tráfico", afirmou Pimentel. Outra possibilidade para o motivo leva em conta o histórico de cada vítima. "Estamos avaliando as circunstâncias individuais: se tinha dívida, crédito, relacionamento extra-conjugal, relação com o crime, com o tráfico, se sofreu ameaça... Porque pode ter havido um caráter individual no crime e os outros teriam sido mortos por vingança ou para queimar arquivo", explica o delegado. A terceira e última vertente da investigação abre a possibilidade de a chacina ter sido um crime passional.
Durante esta semana, a investigação vai terminar o levantamento de provas e colher relatos de parentes sobre cada uma das vítimas. Como não houve testemunhas oculares, todo o sucesso da investigação depende do levantamento desse histórico. Como a maioria dos arrolados para depor são parentes dos mortos, Pimentel disse que serão ouvidos no meio ou no fim da semana.
"Algumas vítimas foram enterradas hoje de manhã, outras ainda serão sepultadas no fim da tarde. Foi um grande abalo físico e psicológico", explicou ele. "Vamos esperar mais um dia ou dois em respeito aos familiares, e também para não comprometer a parcialidade do testemunho."
UOL Notícias - 20.11.2011
Chacina no interior do Goiás deixa 6 mortos
Cinco adultos e uma menina de quatro anos foram assassinados a tiros no sábado à noite em Aparecida de Goiânia, no estado de Goiás, supostamente um crime passional, informou a Polícia neste domingo.
As vítimas receberam tiros na cabeça e, das sete pessoas que estavam na casa no momento do crime, apenas um bebê de dez meses sobreviveu. O pequeno foi encontrado nos braços da mãe, Ludimila Cândida Alves.
Além de Ludimila, morreu também sua mãe, o atual namorado, o cunhado e a filha mais velha de quatro anos.
A principal hipótese da Polícia é motivação passional, já que Ludimila, de 21 anos, havia recebido recentemente ameaças de um ex-namorado, contou o capitão Gerson Ferreira da Silva ao portal "G1".
A Polícia não apontou nenhum suspeito, mas não descarta que o massacre tenha sido acerto de contas relacionado ao tráfico de drogas.
O padrasto de Ludimila, identificado como Benjamin Pereira, saiu da casa minutos antes do crime e conseguiu se salvar, revelou a Polícia. EFE