Precisamos entender como se constrói uma sociedade!

José Roberto Negreiros

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Natal, Rn, Brazil
Sociólogo formado pela UFRN, policial Militar formado em 2001 pela Academia de Polícia Militar Cel. Milton Freire de Andrade, Instrutor do PROERD - PROGRAMA EDUCACIONAL DE RESISTÊNCIA AO USO DE DROGRAS E A VIOLÊNCIA, com orgulho, especializações em "Direitos Humanos", "Violência, criminalidade e prevenção" e "Enfrentamento e combate a exploração sexual de crianças e adolescentes", "Polícia Comunitária" e "Concepção e aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente" pela Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP/BRASÍLIA. Especialista pela PUC - GOIÁS em Intervenção Sóciopsicoeducativa na Área da Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes. Pai coruja, um ser inconformado com as injustiças e desigualdades sociais, gosta de desafios e acredita que ser Policial Militar é algo grandioso se você acreditar no social. Mudar vidas pela ação reflexão, dizendo não a qualquer forma de violência é algo que não se discute, se faz! Nunca desistir é meu lema! INDIQUE A LEITURA DESTE BLOG, DEIXE SEU COMENTÁRIO!

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O Estatuto da Criança e do Adolescente - Desafios e Perspectivas

ECA - Um desafio para pequenos gigantes!

Só para desmistificar um tabu, para ler esta publicação, deixe de lado a priore, qualquer pensamento que lhe remeta à Adolescentes em Conflito com a Lei, "adolescentes infratores", pois infelizmente, se falamos de crianças e adolescentes, ou ECA, é o que vem primeiro em nossa mente, convido-os a pensar na Infância e na Adolescência em seu sentido mais MACRO possível.

Esta análise não pode ser algo fechado para opiniões pequenas e despreparadas conceitualmente.

Nos dias atuais, não há como pensar crianças e adolescentes separadas do contexto social, como se fosse "sujeitos" transparentes, invisíveis, digo isto pelo fato de que cada dia mais elas estão inseridas cultural e socialmente e mais do que tudo, estão nos inserindo em seus contextos "globalizados", estamos sendo engolidos pela "avalanche" de seus crescimentos e conhecimentos, estas crianças e estes adolescentes são Sujeitos de direitos, esta é uma realidade de hoje que a sociedade por muito tempo negligenciou, tendo que atualmente arcar com seus efeitos.

Infante (origem latina) ausência de fala

“Por não falar, a infância não se fala e não se falando, não ocupa a
primeira pessoa nos discursos que dela se ocupam. (...)
Por isso é sempre definida por fora”. (Lajolo, 1997, p.226)

ECA – Art. 2o “Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a
pessoa até doze anos de idade incompletos,
e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade”.



O ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei 8.069/1990, caiu como uma luva para garantir os Direitos destes seres humanos, antes invisíveis, por muitos negligenciados, aqui fazemos referência à aqueles que desde o ventre de suas mães esperam a oportunidade de adentrarem neste Coliseum que é a vida, cheia de leões indomáveis e famintos, além daqueles que já adentraram e presisam matar um leão por dia, com uma única opção, sobreviver, todos um dias fomos, foram crianças.

Esta Lei que nos referimos, a qual instituiu o ECA, que completou 21 anos, só surrtirá grandes resultados, caso seja articulada com tantas outras leis previstas, bem como com a nossa Carta Magna, a Constituição Federal, isso para que possa subsidiar ações importantes e previstas integralmente no corpo da Lei.

Pensar no ECA, na real garantia de direitos, no faz exigir políticas públicas eficientes e eficazes, que possam mostrar resultados visiveis e até paupáveis, que mantenham fortes os eixos de garantias, revestidos de poder, pois em caso contrário tudo que ali está escrito se transforma em falácias e ladainhas políticas, que prendem a Lei no papel e só servem para enganação, não passam de engodo político.

Garantir direitos é a coisa mais difícil que pode existir, mesmo ainda existindo pessoas que pensam diferente, pessoas que se utilizam do discurso assistencialista para tornar o trabalho "fácil", melhor dizendo, menos difícil.

Na realidade atual de nosso país, quem serve, quem trabalha, quem se dedica para garantir os direitos das crianças e dos adolescentes, já teve antes de tudo, o seu direito negado mesmo que minimamente, querem exemplos? ...quando lhes faltam condições mínimas de trabalho, espaços adequados, confortáveis, em resumo, quando lhe falta estrutura, numa linguagem da Administração, quando falta a condição higiênica e sanitária para atuar, quando falta uma pessoa para lhe ouvir, falo isto com propriedade dentro da perspectiva do CUIDAR DO CUIDADOR, onde segundo um médico amigo, aqui de Natal, Rio Grande do Norte, onde não citarei nome, disse assim: " A SOCIEDADE ESTÁ DOENTE, AS PESSOAS ESTÃO DOENTES, OS PROFISSIONAIS ESTÃO DOENTES, COMO PODERÃO CUIDAR DAS OUTRAS PESSOAS, DE CRIANÇAS PRINCIPALMENTE?"

Com relação aos direitos das Crianças e dos Adolescente, "o buraco é mais lá embaixo", são muitos abismos que passamos, são grandes contradições, grandes dificuldades, é mais ou menos isso, o ECA permite e proporciona legitimar a existencia desta criança, deste adolescente, tornando-o o grande sujeito da história, o protagonista.

Não existe Lei melhor, é a melhor do mundo, assim falam juristas e especialistas, agora torna-se falha pelo fato de que a Rede Assistencial não funciona, é furada, precisa está toda articulada, Conselhos Tutelares, Ministério Público, Judiciário, Saúde, Educação, Polícias, entre tantas outras instituições, se isso não ocorrer estaremos "dando murro em ponta de faca", "batendo com a cabeça na parede", estaremos "dando com os burros n'água", andando em círculos.

Por fim, em alguns anos de trabalhos na área da segurança, ligado intensamente e diretamente à Crianças e Adolescentes, precisamente construindo trabalhos na linha da garantia de direitos, posso falar com timidez, ainda temos muito o que aprender, nós pessoalmente e nós sociedade, pois na prática e teoria é outra totalmente diferente.

Enquanto não atuarmos em REDE, todos, cidadãos e instituições,  estaremos desligados do sistema de garantias de direitos e nunca iremos conseguir tornar o difícil em algo mais fácil, esse é um pensamento que tenho comigo e divido com cada um. Compartilho a imagem logo abaixo, super interessante, observem cada detalhe do desenho, cada um fala algo.

Um forte abraço e boa reflexão!


Um comentário:

  1. Super interessante a linha de pensamento, pois de Lei nosso país é bem servido, o ECA que nos diga, agora falta que nossa Constituição Federal seja posta em prática, para que o ECA e tantas outras Leis existentes possam mostrar para que foram criadas. Louvável tratar o Sistema de Garantias. A Rede somos nós e por tanto devemos cobrar de quem de direito as condições mínimas de atuação!

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A bravura provém do sangue, a coragem provém do pensamento" (Desconhecido)

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Tudo na vida exige de nós iniciativa. Na sociedade (MUNDO) em que vivemos as pessoas estão cada vez mais individualistas, e diante dos problemas sociais que pertencem a todos, preferem adotar a filosofia do "menor esforço", residindo aqui um enorme perigo, pois a Sociedade se torna refém de si mesma e cria seus fantasmas, "zumbis sociais", seres que seguem no fluxo dos acontecimentos e deles fazem pouco caso. Devemos compreender que a Sociedade se constrói e se faz do individual para o coletivo e do coletivo para o individual, para tanto exige de cada indivíduo, de cada ser social, posturas que impactem a todos, pois só assim conseguiremos alterar o "status quo" da Sociedade.
A mudança que se espera e necessita vem de cada um de nós, os problemas estão por todos os lugares, as soluções estão em nossas mãos. Que este espaço venha para contribuir no seu desenvolvimento intelectual, crítico e social. Precisamos ser enérgicos para mudarmos um pouco o rumos das questões sociais, dos problemas. É disso que estamos necessitando hoje, de iniciativa, pois assim teremos como contribuir de alguma forma para uma real mudança social.


Um abração nunca esqueça que todos nós somos responsáveis por escrever a história de nossas vidas e da sociedade em que vivemos.